Eu queria ser uma daquelas pessoas das quais os pais se orgulham em ter como filha. Poder ter dom para qualquer coisa, mas mal sei amarrar os calçados, quem dirá então para fazer algo diferente. Tenho facilidade em desistir das coisas, dificilmente faço tudo até o fim, então não espere que esse pequeno desabafo do qual comecei com intenção de ser um texto termine bem ou com algum sentindo.
Quando criança tudo ao meu redor era repleto de todos os tipos de cores, cada cor representada por uma felicidade diferente. Mas com o tempo fui crescendo e isso foi passando, agora vivo num mundo sem cores. São raros os momentos que tudo fica colorido e quando chega esse momento não dura muito tempo, pois em questão de segundos tudo volta a ser preto e branco novamente.
Transcrevo palavras soltas em versos livres na intenção de expressar-me, e por mais contraditórios que possam ser meus textos, é através deles que consigo expor o que sinto naquele momento sem restrições; ou ao menos chego perto de conseguir. Em meus textos encontra-se partilhas de minha alma transcritas em palavras mal compreendidas. É um jeito maior de expressar a tão desejada liberdade, uma forma de revelações sentimentais. Um desabafo, muitas vezes satisfatório. Revelador de forma oculta. Nunca incompleto, apenas subentendido. Coeso mesmo quando incoeso. E seja sobre o que for, ou quem for, jamais deixará de ser escrito pelo coração.
E se perguntarem qual o meu problema, iniciarei dizendo sobre a necessidade que teve meu amadurecimento precoce. Um pai ausente e com problemas de alcoolismo. Uma mãe com estabilidade emocional. Menos de cinco amigos, sendo a solidão o melhor deles. Carregante de problemas, seja qual for, sendo os meus considerados singelos. Protagonista de um tipico romance adolescente, onde amo só, já que quem amo a outro ama. Dificuldades escolares; dificuldade na vida por completa. E a causa de todos esses problemas, foi minha saída do útero, já que desde aquele dia nada deixou de ser complicado em momento algum.
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